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Clubhouse: o que é e como usar na estratégia de Marketing Digital

  • Por: Redação Tera
  • Data: 17, fev 2021
14 min de leitura

As experts Beatriz Guarezi e Julia Passos contam como marcas podem usar o Clubhouse para criar conexões e gerar valor para o público na plataforma.

Photo by Josh Rose on Unsplash

Nas últimas semanas, o aplicativo Clubhouse esteve no centro das conversas, trazendo a proposta de ser um espaço exclusivo para bate-papo com áudio entre usuários. Mas será que uma plataforma criada para pessoas físicas conversarem abertamente sobre os mais diversos temas também pode ser usada para Marketing Digital? A resposta é sim! 

É possível usar o Clubhouse para marcas de forma estratégica e, neste texto, vamos mostrar como profissionais de Marketing Digital podem aproveitar esse novo espaço na hora de fortalecer a presença digital de uma marca, criar autoridade e fomentar a criação de comunidades.

Ao longo do texto, você vai entender o que é o Clubhouse, quais são suas principais funcionalidades, quais são as vantagens para marcas e algumas formas de usá-lo a favor do seu negócio. Além disso, você vai conhecer a visão das experts Beatriz Guarezi, Brand Manager na Liv Up e Content Creator na Bits to Brands, e Julia Passos, Executive Director na ella etc.

O que é o Clubhouse e como funciona?

O aplicativo Clubhouse nasceu em março de 2020 no Vale do Silício com a proposta de ser uma plataforma para bate-papo por meio de áudio. Os criadores Rohan Seth e Paul Davidson desejavam um espaço para que pessoas contassem suas histórias e desenvolvessem ideias ao redor do mundo. Com uma interface bastante minimalista, usuários podem se reunir em salas para falar sobre temas específicos.

É claro que, por causa do seu formato, não faltam comparações com o bate-papo UOL e com os podcasts. Para quem é das antigas, o Clubhouse ainda pode lembrar a dinâmica do rádio, com apresentadores trocando ideias em um programa e, por vezes, conversando com ouvintes ao vivo por telefone. 

Uma coisa é certa: o Clubhouse não se parece muito com as redes sociais que nos acostumamos a usar. Por isso mesmo, algumas pessoas até questionam se devemos usar essa nomenclatura para a plataforma. Sem fotos, vídeos e “textões”, o foco está na proximidade da fala, na interação em tempo real e na criação de laços.

Seja pela proposta que apresenta ou por ser uma novidade com gosto de exclusividade - por enquanto só é possível entrar na plataforma com convite e sistema iOS -, o Clubhouse se tornou a sensação ao chegar aqui no Brasil em fevereiro de 2021.

Antes de falar sobre a relação entre Clubhouse e Marketing Digital, vamos entender um pouco mais sobre o aplicativo? Separamos algumas curiosidades sobre o Clubhouse a seguir.

É para pessoas físicas

Até o momento, uma das características mais fortes do Clubhouse é a humanização das relações. São pessoas físicas, conversando abertamente sobre diversos assuntos. Mesmo que elas tragam em seu perfil o peso de uma empresa ou mesmo que sejam CEOs de grandes negócios, a interação ali está longe de ter o objetivo direto de publicidade para uma marca.

É baseado em FOMO

Diferente de redes sociais como LinkedIn, Instagram e TikTok, o Clubhouse não tem uma timeline com conversas realizadas em outros momentos e nada é armazenado. Assim como em um bate-papo real, tudo é ‘aqui e agora’ e, quem perder, perdeu. A plataforma se baseia na ideia de FOMO, Fear of missing out (medo de estar perdendo algo) e, quem já está circulando por lá notou como escolher em qual sala estar entre outras é um verdadeiro desafio.

É apenas para iOS - ainda

Uma questão muito falada em relação ao aplicativo Clubhouse no Brasil foi a ausência de uma versão para Android, o que exclui milhões de potenciais usuários no país. Por isso, a plataforma tem sido vista como excludente por muitas pessoas. Entretanto, os criadores já anunciaram que estão trabalhando em um versão para o outro sistema operacional.

Se divide em salas e clubes 

As salas estão no centro da proposta do aplicativo Clubhouse. Qualquer pessoa pode começar uma sala com um tema de sua preferência, se tornando automaticamente a moderadora daquela discussão. Enquanto as salas acabam no fim da conversa, a funcionalidade dos clubes têm a dinâmica de criar comunidades de longo prazo, com reuniões agendadas e em torno de temas de interesse.

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Tem regras sobre reprodução de conteúdo

Uma das regras do Clubhouse é que é proibido gravar as conversas realizadas em uma sala sem autorização prévia. Ou seja, por mais que os bate-papos sejam uma fonte interessante de conteúdos, o que é falado ali só pode ser divulgado com permissão.

Mas não tem regras claras para discurso de ódio

Por outro lado, um dos problemas apontados na plataforma é a ausência de uma moderação eficiente para conteúdo inapropriado, como discursos de ódio, por exemplo. Por mais que exista um botão de denúncia, as políticas em relação ao banimento de usuários ainda não são claras.

Pode ser uma mesa de bar, ou uma palestra

No momento, cada sala do Clubhouse tem limite de 5 mil pessoas. Entre os pontos altos da experiência na plataforma está a possibilidade de ‘levantar a mão’ para participar da conversa, mesmo que com uma grande celebridade. No entanto, a dinâmica de participação vai depender de quem modera a discussão. Se, por um lado, o Clubhouse pode ser tão convidativo e íntimo como uma mesa de bar, por outro, pode se tornar uma grande sala de TED Talks por voz. 

De quais formas é possível usar o Clubhouse para marcas?

É claro que, em uma economia digital onde as relações entre marcas e pessoas acontecem nos espaços virtuais, o Clubhouse surge como mais uma oportunidade de gerar valor para o público. Por mais que seja uma rede feita para pessoas físicas, é possível usar o Clubhouse na estratégia de Marketing Digital. As profissionais Beatriz Guarezi, da LivUp e Bits to Brands e Julia Passos, da ella etc, dão algumas dicas nesse sentido.

Criação de comunidades com conexões reais

A ideia de engajamento por meio de temas relevantes ao público-alvo da marca com certeza é uma das principais formas de usar o Clubhouse em Marketing Digital. Mais do que querer vender, Beatriz Guarezi defende que a plataforma pode ser ideal para estágios mais iniciais do funil, como o awareness. Com isso, a melhor estratégia é construir comunidades com relacionamentos reais.

“Eu vejo marcas construindo comunidades em torno de si, por meio de influenciadores, pessoas que elas vão escolher para conduzir as conversas - sejam pessoas de dentro da empresa ou personalidades convidadas - e clientes que a marca vai convidar para estar ali naquele momento.”

Mesmo que o aplicativo Clubhouse continue sem opções de perfis de marca, isso não pode ser visto como um problema ou um empecilho para atuar ali. Pelo contrário: é necessário aproveitar ao máximo a pessoalidade oferecida para estabelecer porta-vozes do negócio que gerem um senso de proximidade.

“Uma coisa que tende a continuar no Clubhouse é a interação de pessoa para pessoa. Então acho difícil que a gente tenha ali perfis de marca. Você pode ter representantes, um profissional de Marketing ou Social Media, um CEO ou fundador, como a gente já vê hoje. Então, um jeito de inserir a marca em conversas ali é puxar assuntos dentro da comunidade e ter representantes da sua marca para falar sobre eles.”

Beatriz cita um case de empresa que já começou a usar o Clubhouse na estratégia de Marketing Digital: o Nescau criou uma sala com convidadas especiais do esporte para uma conversa com seu Head de Marketing no dia 11 de fevereiro. O ‘NESCAU Sports Talk’ recebeu a paratleta Verônica Hipólito e a ginasta Flávia Saraiva. A proposta da sala foi trazer temas do universo da marca, como prática de exercícios, sustentabilidade e inovação.

Disseminação da cultura da marca

Outra forma de aproveitar o Clubhouse na estratégia de Marketing Digital é por meio da disseminação da cultura da marca. As pessoas físicas carregam um pouco da identidade de uma marca de maneira orgânica, mas isso pode ser feito de forma intencional. Veja a opinião de Julia Passos.

“As marcas se beneficiam à medida que suas pessoas conseguem mostrar mais o seu lado humano e colocar o branding na prática.  Nesse momento, o maior benefício para as empresas é que suas pessoas estejam lá, mas sendo realmente pessoas acessíveis e ‘normais’. A Forbes, por exemplo, já está fazendo isso.”

Principalmente nos grandes negócios, é comum que fundadores e CEOs sejam figuras um tanto distantes. No entanto, geralmente essas pessoas conseguem transmitir a visão e os valores da marca de forma cirúrgica. Quando isso acontece de forma informal em uma sala do Clubhouse, as chances de engajar usuários e torná-los em clientes ou em colaboradores é grande.

“É uma exclusividade poder bater um papo de forma direta, sem muita preocupação com imagem, vídeo, com grandes nomes do mercado. Sugiro que pessoas e empresas se manifestem através de suas pessoas até para ajudar a construir essa imagem e colocar no mercado a empresa de maneira humanizada.”

Geração de valor na solução de dúvidas

Gerar valor por meio de conteúdos relevantes está no centro da estratégia de Marketing Digital da maioria das empresas atualmente. No Clubhouse, a ideia de tirar dúvidas e ajudar as personas a identificar e resolver problemas também é possível. Segundo Julia Passos, tanto marcas quanto profissionais independentes podem usufruir dessa iniciativa.

Uma forma que profissionais têm conseguido se destacar é abrindo salas para esclarecer dúvidas sobre um assunto. Por exemplo, vi uma advogada americana que é especialista em propriedade intelectual e abriu uma sala para falar sobre esse tema no contexto das startups. Foi um assunto incrível, várias pessoas participaram e ela saiu de lá com 20 novas conexões para negócios.”

Patrocínio de salas temáticas

Beatriz Guarezi explica que o uso do Clubhouse no Marketing Digital ainda pode evoluir muito, já que muitas funcionalidades podem surgir ao longo dos próximos meses. Uma dessas possibilidades é a de salas patrocinadas por marcas, o que abre mais um leque de possibilidades para as empresas.

“Eu vejo futuramente salas patrocinadas ou organizadas por marcas. Então, por exemplo, eu sou uma marca de decoração e vou fazer uma sala toda terça-feira com o arquiteto X, um decorador, celebridades da área. Eu vou reunindo pessoas da área para falar sobre o assuntos pertinentes à minha marca e convidar meus clientes. Isso é construção de comunidades na essência.” 

Realização de testes e focus groups

Mais uma ideia sugerida por Julia Passos é o uso do Clubhouse para realização de testes e grupos focais. Com uma comunidade já construída em torno da marca, o processo de entender o que seus clientes estão pensando e quais são suas dores pode acabar sendo mais curto e facilitado.

“É um espaço brilhante para as marcas porque você pode decidir fazer um focus group de produtos, pode contar a história da empresa, pode testar a aderência a um produto ou uma funcionalidade, seja por perguntar diretamente às pessoas o que elas achariam, seja por ‘pescar’ algo em alguma discussão.”

Por onde começar a usar o Clubhouse em Marketing Digital?

O buzz criado em torno da plataforma e as diferentes possibilidades de usar o Clubhouse no Marketing Digital podem gerar um senso de urgência em profissionais da área e responsáveis pela criação de conteúdos. Mas, por mais que o aplicativo tenha potencial e possa integrar sua estratégia, Beatriz Guarezi explica que não é necessário entrar apenas para estar lá. 

“Sobre aproveitar o quanto antes, eu acho que isso é uma pressão ainda desnecessária. Essa glamourização do Clubhouse é de fato porque tem que entrar com convite, tem muitas celebridades entrando. Mas, conforme ela crescer e se popularizar, talvez a dinâmica dentro dela mude - e mude para melhor. Então, eu tentar correr para me adaptar ao jeito que a plataforma está agora talvez não seja a melhor estratégia, já que daqui a duas semanas ela pode estar totalmente diferente.”

O que profissionais de Marketing Digital podem fazer no momento? Para Beatriz, uma ótima forma de se preparar é integrar a plataforma e começar a estudar as dinâmicas presentes ali e as possibilidades para o contexto da sua marca.

“Agora é um momento de acompanhar, de estar ali e identificar como as pessoas estão interagindo mais, o que tem de potencial ali que não está acontecendo ainda. É um momento de planejamento, para, quando chegar, chegar bem contextualizado.”

Para Julia Passos, esse é um momento de aprendizado e familiarização com uma plataforma completamente nova. Existem regras que precisam ser entendidas, as vozes que vão falar pela empresa precisam estar embasadas e é necessário identificar onde está seu público naquele ambiente.

“Como está no início, acho que tem muito espaço para as marcas entenderem como elas vão andar dentro do aplicativo. Estamos em um momento de curva de aprendizado para todo mundo, então ninguém está preso ao ‘fazer perfeito’. 

Que tal algumas dicas práticas para essa preparação

  • entenda quais pessoas podem representar melhor o negócio na plataforma;

  • mapeie possíveis temas que são do interesse do seu público e podem se tornar conversas proveitosas;

  • na hora de contratar influenciadores, lembre-se que não basta um briefing simples; eles precisam conseguir sustentar uma conversa longa representando a marca;

  • entenda quais são as regras da plataforma e como é possível usá-la para benefício da marca sempre quebrar essas regras;

  • valorize as conexões reais de pessoa para pessoa, respeitando o intuito do aplicativo.

O Clubhouse promete ser uma das tendências para 2021 e, como todas as outras plataformas de socialização, traz um grande potencial para as marcas que querem se aproximar do público e entregar mais valor por meio de conexões e conteúdos. Esperamos que este texto tenha ajudado você a entender alguns caminhos possíveis para usar o Clubhouse no Marketing Digital.

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